Privatizada após acumular dívida milionária, Cesta do Povo está de volta e reabre 25 lojas


Desde que foi arrematada em leilão por R$ 15 milhões pela NGV Empreendimentos e Participações, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), criada em 1979, começa a dar sinais de sobrevida. Enfrentando uma crise que durou mais de 10 anos e acumulou dívidas que ultrapassavam os R$ 300 milhões, falar em Cesta do Povo remetia à prejuízo e desempregos. Foram quase 3 mil demitidos, o que acarretou em prejuízos emocionais e financeiros para os trabalhadores.

Em 2 de outubro de 2015, um decreto foi assinado pelo governador Rui Costa (PT), dando seguimento ao processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos S/A. No documento, o governador aprovou "a avaliação econômico-financeira atribuída à Ebal nos termos do relatório conclusivo elaborado, com base em estudos de consultoria especializada". Já o Tribunal de  Contas do Estado (TCE) calculou um rombo acumulado na Ebal de, pelo menos, R$ 381,8 milhões no governo de Jaques Wagner. O valor corresponde à soma dos repasses feitos pelo Estado entre os anos de 2007 e 2014 apenas para manter a Ebal em funcionamento.

Única rede de supermercados estatal no Brasil, o empreendimento tinha acumulado um prejuízo de R$ 750 milhões. Em 2016, a situação piorou e a Ebal, controladora da Cesta do Povo, amargou uma perda de R$ 158,1 milhões. O leilão público proposto pelo governo possuía uma cláusula que permita a absorção de um percentual mínimo de funcionários pelos novos empreendedores, mas a estrutura de 276 lojas e 2.769 funcionários em 229 municípios, não despertou o interesse de nenhum comprador para o lance mínimo exigido para a venda na época, R$ 81 milhões.

Mas, no ano passado, a NGV Empreendimentos e Participações, que tem sede em São Paulo e é comandada pelo investidor espanhol Ignacio Morales, se associou ao empresário do varejo baiano, Joel Feldman e arrematou a Ebal por R$ 15 milhões, valor que corresponde a 5% das dívidas acumuladas pela empresa. Já o débito foi assumido pelo Governo do Estado. "Para a empresa foi um excelente negócio. Para os trabalhadores, acabamos aceitando o acordo em ação cívil pública", afirmou o presidente da  Associação Baiana de Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo (Abtec), Francis Tavares. "Foi pra conciliação - R$ 3 mil para cada trabalhador e foi autorizado a continuidade do Planserv com o mesmo valor de quem está na ativa. Valor pago de uma única vez. Ainda faltam 109 trabalhadores que estão para receber o valor, mas valor já está depositado em juízo", explicou. Entretanto, Fracis ressalta que houve um aumento de 5% no valor do Planserv. "Mudança foi feita na AL-BA (Assembleia Legislativa da Bahia) no mês passado em uma claúsula só para os ex-funcionários da Ebal", criticou. Ainda segundo Francis, nenhum ex-funcionário foi reaproveitado nesta nova etapa e em uma semana foram mais de mil demitidos, "fora os 1.700 que já tinham sido desligados". 

Nova Cesta do Povo
Quarenta lojas em 2019. Esta é a expectativa da NGV Empreendimentos e Participações com relação a Cesta do Povo. Com campanha de outdoor que já está na rua, a empresa afirmou ao BNews, por meio da assessoria, que 25 lojas da nova Cesta do Povo já estão abertas. Em Salvador, estão em operação as lojas de Boca do Rio, Mussurunga, Mata Escura e Castelo Branco. No interior da Bahia, estão funcionando lojas nas cidades de Mata de São João, Dias D’Ávila, Feira de Santana, Santo Estevão, Porto Seguro, Santa Bárbara, Una, Itabela, Barra e Juazeiro.

Ainda conforme a empresa, cerca de 500 pessoas já foram contratadas. "A previsão é abrir mais 15 lojas até o final deste ano. O cartão Credcesta também está com nova marca e pode ser utilizado pelos servidores públicos estaduais nas lojas da Cesta do Povo e em diversos estabelecimentos credenciados, como: academias, restaurantes, farmácias, postos de gasolina, clínicas, entre outros", afirmou.

Dívidas
Procurado, o Governo confirmou que assumiu a dívida da Ebal. Por meio de nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE) informa que, em janeiro de 2007, a Empresa Baiana de Alimentos S.A. (EBAL) possuía dívida acumulada de aproximadamente R$ 300 milhões, a ser suportada, em sua grande parte, pelo Tesouro Estadual, o que demonstrava já naquela época sua inviabilidade operacional. "Uma série de ações de reestruturação foram praticadas, desde então, para viabilizar a redução deste passivo. Dentre as ações, o fechamento de 206 lojas e duas Centrais de Distribuição, em 2016 e 2017. Em 2018 a EBAL contava com 49 lojas e três Centrais de Distribuição, o que viabilizou a realização do leilão". 

Ainda segundo a SDE, desde a venda da empresa, o saldo do passivo, que já havia sofrido diminuição dos custos fixos, vem sendo reduzido gradativamente. "A Secretaria esclarece ainda que, atualmente, a redução real corresponde a 80%, em relação à dívida de 2007. Os passivos trabalhistas e tributários estãos sendo quitados graças aos acordos celebrados entre as partes interessadas. Já os resquícios deste passivo estão em fase de planejamento para pagamento. A SDE ressalta que a desestatização da EBAL teve como foco desonerar os cofres públicos, para investimentos em áreas como Saúde, Educação e Segurança. A expectativa da pasta é que a alienação traga vantagens econômicas e sociais ao Estado da Bahia, vez que uma gestão privada exercerá atividades de modo mais ágil, livre dos embaraços inerentes às atividades desenvolvidas pela Administração Pública, devendo possibilitar ganhos de eficiência, pela natureza do negócio, ao povo baiano".




Por: BNews

Postar um comentário

0 Comentários