Após quase dois séculos de existência, PM da Bahia tem 1ª mulher tenente-coronel

Foto: Jorge Cordeiro/Divulgação PM-BA

Após 194 anos de instituição, a Polícia Militar da Bahia teve, neste mês, a primeira mulher promovida à patente de tenente-coronel. Aos 54 anos, a médica pediatra Ana Fernanda Dantas contou ao G1 sua trajetória profissional como oficial e falou sobre as responsabilidades que a aguardam.

Nascida em Salvador, a militar está na corporação há 25 anos – agora a um degrau da patente mais alta da PM, que é coronel. No entanto, hoje, Ana Fernanda Dantas é a maior autoridade feminina da Polícia Militar na Bahia.

Ela entrou na PM no primeiro concurso em que foi permitido o ingresso de mulheres no quadro de médicos da instituição – em 1993. Além de médica pediatra, a tenente-coronel também é bacharela em direito e mestra em administração pública. Por já ter ingressado na PM como médica, Ana nunca participou de ações operacionais nas ruas.

A honraria – como ela mesma classifica a promoção –, foi concedida no dia 7 de maio, em uma solenidade liderada pelo comandante-geral da PM, o coronel Anselmo Brandão, no quartel da corporação que fica no Largo dos Aflitos.

"O coronel Anselmo fez essa solenidade. Foi simples, mas bastante significativa. Só estavam na minha frente quatro coronéis e, no meu grupo, dos que seriam promovidos a tenentes-coronéis, só tinha eu de mulher. Quando eu olhei para trás e vi tantos homens, eu percebi o quanto é significativo ser a primeira mulher", lembra Ana Fernanda.

"Me sinto muito honrada. Para mim foi extremamente emocionante, porque foi o momento em que eu me dei conta da imensidão da coisa"

Para a militar, junto com a promoção há o crescimento da responsabilidade. "A carreira militar tem isso, você vai subindo de acordo com seu amadurecimento e as responsabilidades e nossas atribuições vão aumentando", ponderou.

As promoções na carreira militar dependem de vários quesitos, segundo Ana Fernanda. Para a patente de tenente-coronel no quadro de médicos, que era a área em que a militar concorria, só havia uma vaga que seria "disputada" entre ela – então major –, e um colega homem.

"[A promoção] não depende só da gente estar habilitado. No meu caso, como eu sou médica, a gente concorre dentro do nosso quadro de médicos. Eu e o outro colega que estávamos habilitados para a promoção, então nós dois tínhamos expectativa. Quase não tinha nenhuma diferença entre a gente no termo de pontos e notas, então sabíamos que poderia ser um ou outro", comentou.

"Eu só acreditei mesmo quando recebi o telefonema do nosso comandante"





Por: G1 Bahia

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